Sobre música
Dessa vez ao vivo
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Sem querer alarmar, mas sabiam no dia dessa publicação teremos 45 dias pro ano acabar? Que rápido né?
Nesses últimos tempos estava fazendo uma lista do que conquistei e o que ainda quero conquistar em 2025 (oi invertida na yoga, não esqueci de você). Parece que vivi mil vidas e resolvi trazer um dos destaques: Shows bem bons! Vindo bem na sequência do último que falei rápido do show do BNegão cantando Caymmi, que segue sendo o mais bonito do ano.
Bateu essa vontade de vir aqui falar um pouco mais sobre esses momentos que eu esquecia da vida lá fora e me sentia levada pela música como o gambá de Feiticeiro Gozador do Rubel. Principalmente no segundo semestre, nessa maravilha de só me preocupar em não derrubar o que estivesse bebendo e parecendo que as dores eram coisa de outra vida, de tão distantes que estão (ufa!).
Inclusive peguei essa imagem quando ele contou no show lá em Salvador que esse trecho da música foi inspirado em um momento que ele viveu em uma das primeiras vezes na cidade que ouviu uma música vindo de um sobrado rosa nas proximidades do Pelourinho, foi entrando pra dar de cara com um ensaio do Maestro Letieres Leite - por isso também da música chamar Feiticeiro Gozador, como uma homenagem a ele.
E já começando a falar desse show, eu tinha essa viagem pra Salvador marcada desde que fiz o primeiro retorno pós cirúrgico e ela deu um prazo mínimo pra pegar um avião e calhou de acontecer bem nesse final de semana. Aproveitei que não tinha conseguido ingresso pros primeiros shows em São Paulo e fui sozinha sem nem conseguir respirar em algumas músicas, curtindo ainda mais por saber sobre algumas histórias que descobrimos só nesses momentos - como essa do Letieres e conhecer o Fatel fez uma participação incrível cantando Caymmi e trazendo essa frase linda de que as músicas dele são lembranças da carne.
Ai vem um bolo de shows que vi no Coala, que pra mim é o melhor festival de música em São Paulo, me apaixonei à primeira vista por ser um pequeno e organizado. Na primeira vez que fui, assisti o show Olodum Baiana com um amigo e ficávamos inconformados que o show era tão tão potente que até os telões vibravam, parecia que poderíamos pegar aquela energia.
Ano passado já contei aqui sobre essas maratonas de shows quando fui pro Festival Sensacional e essa paixão por Baiana System (que todas apresentações são sempre minhas preferidas da vida) e com meus lugares queridinhos de shows aqui de São Paulo.
Consegui assistir Liniker, Silva, Nando Reis e Chico Chico, Cidade Negra, BK e Black Alien. Todos incríveis mas o que mexeu mais comigo foi o do Gustavo, admito que no sábado era o principal show que eu queria assistir e enquanto o show ia acontecendo eu me senti tão feliz de estar lá presenciando tudo aquilo, com ele dizendo que não podia se emocionar pra manter a pose enquanto eu me acabava de chorar.
Quase todo mês Black Alien está no meu top5 artistas mais ouvidos. Já tem uns bons anos que acompanho e mesmo conhecendo bem as músicas, vira e mexe me pega em algum lugar novo.
Meu orgulho nesses últimos dias é ter Babylon by Gus, vol. 1 - o ano do macaco e Abaixo de Zero: Hello Hell aqui em casa pra poder ouvir e lembrar desse momento, que teve essa versão de Vai Baby que consegui pegar o celular a tempo pra guardar um trecho:
Pra quem tiver mais interesse em uma visão mais atenta sobre ele, a Camila @pretaletrada tem esse vídeo ótimo que fala um pouco sobre:
E precisei voltar nessa edição já fechada já que na noite anterior da publicação fui à última apresentação do Planet Hemp em São Paulo e antes do show começar até falei com meu namorado sobre o quão incrível seria ele entrar. Até parece que previa, quando o D2 anunciou que tocariam mais algumas por essa presença direto de Niterói.
Quando vi que seria a última apresentação em São Paulo sabia que não dava pra perder e ouso dizer que foi a vez que vi o Palmeiras mais lotado.
Já tinha começado lindo com Baiana System diretamente do Grammy, mas toda a apresentação do Planet Hemp trazendo esses 30 anos de estrada, aquelas imagens maravilhosas que iam acompanhando e participações foram ainda mais sensacionais. Até estávamos conversando depois do show do quão incrível e até mesmo generoso foram de contar essa história e levar essas parcerias tão importantes dessa forma elevada, agradecendo cada pessoa que fez parte dessa história.
Só consigo dizer que foi ainda mais foda do que eu poderia ter imaginado.
Ai que uma terça estava no escritório com todas as mil tretas de trabalho acontecendo, voltando de uma reunião daquelas bem tensas e vejo uma mensagem meu amigo com com as seguintes:
_ Dea
_Tá bem?
_Vai ser super aleatório
_Mas:
1 - vc melhorou das dores?
2 - se sim quer ir no show do Kendrick Lamar?
Teria como dizer não? Ainda mais que o ingresso era pra pista premium e deu pra ver ele pertinho, entrar nas rodinhas sem nem ter tempo de pensar (quase torcer o pé numa dessas) e desde então não passar mais de dois dias sem ouvir alguma música dele por aqui.
É o que eu fiquei mais impactada dessa lista, admito. Já ouvia antes mas não tanto e não sabia o que esperar do show - talvez esse elemento surpresa com a super produção tenha contribuído pra esse efeito, que até meu amigo saiu se dizendo atordoado e como tinha sido incrível. Sabe o que falei ali em cima do show do Baiana do palco vibrar? Nesse como estávamos perto do palco eu tinha a impressão de literalmente sentir a vibração das caixas no corpo.
Além de que eu gravei o trecho de Squabble Up sem nem saber que seria uma das minhas preferidas do álbum:
Chegando no último show que me pegou e que eu já tinha assistido outras vezes, até mesmo o primeiro dessa turnê no Nômade em maio mas que só agora consegui estar cem por cento ali:
Rachel Reis, nossa sereiona!
Também outros dois discos que tenho em casa com orgulho, que recorro quando acordo em um dia que não estou tão bem e as músicas tem esse jeitinho de lembrar que somos fodas sim.
E eu amei esse show que ela de repente dava umas broncas porque não estávamos cantando ou muito tempo na cadeira e precisávamos levantar pra dançar um pouco ou o momento noveleira dela contando sobre Mulheres de Areia, que sempre assistia quando tinha oportunidade e tem sua versão de Sexy Yemanjá em Divina Casca.
Não tinha forma melhor de concluir essa edição com ela, que compartilhou essa oração em forma de música e que me pego de vez em quando repetindo
E eu peço pra quem me olhe que me dê serenidade
Me dê serenidade
Me dê tranquilidade
Me dê paciência, eu sei
Me dê coragem







