Rio
Sim, a “cidade maravilha purgatório da beleza e do caos”
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Era comum na família sempre chamarem de Rio 40 graus (com algumas pessoas fazendo o chiado no final, inclusive). Porém pra vocês não ficarem com ela na cabeça, minha indicação de música pra essa edição é de outra galera do Rio que tenho ouvido bem: Baseado em fatos reais: 30 anos de fumaça do Planet Hemp.
Passei o Carnaval lá com amigas que já conheciam a cidade e outras que estavam indo pelas primeiras vezes, sendo bem interessante até de ver essa dinâmica de olhares já acostumados e outros surpresos nesses dias que estamos no meio da teoria do caos na prática, que a única certeza que tínhamos era o horário de acordar pra encontrar minha amiga carioca carnavalesca em alguma estação de metrô.
A maioria das vezes que estive na cidade foi a trabalho, desafiando as probabilidades pra conseguir seguir planos e voltando com histórias que até mesmo carioca me olha sem acreditar nas coisas que acontecem comigo por lá (e que só são compartilhadas no modo antigo, olho no olho). Mas o que aprendi na marra é que preciso conseguir ler o momento e resolver o que fazer, não adianta acordar e fazer um plano porque logo na hora que eu piso na calçada já acontecem mil coisas que preciso me reorganizar.
Até fazendo um paralelo com o mar de lá quando está agitado, sabemos que não adianta ficar parada e o melhor é seguirmos a ideia de onda grande a gente mergulha… Mas corre o risco de subindo levar o caldo de outra maior e voltar pra areia sem nem saber meu nome.1
Sempre falo que o Rio adora rir dos meus planos.
Fui no início do ano com a carnavalesca pra abertura do pré carnaval e as mais de 10h que ficamos na rua pulando entre blocos e bares e grupos a gente deu tanta risada de todas as improbabilidades e surpresas no caminho que resolvi encarar os dias de Carnaval de coração aberto.
Conforme a viagem ia se aproximando e eu montava as roupas pra ir pros blocos resolvi que todo dia no final da tarde iria pra praia. Era meu único compromisso: depois de sentarmos pra comer eu correria pra ter esse momento de respiro.
E foi a melhor decisão, além de ter sido a primeira vez na vida que fui esperar o xeque mate dar o tempo dele cheia de glitter na areia e aquele tanto de informação que é a praia de Copacabana em um feriado com muitos turistas, locais, gente vinda direto de bloco também, galera trabalhando… Um grande clássico de praias em feriados, como se a poucos km dali não tivesse aquela multidão cantando junto tantas músicas diferentes.
Mas o que me surpreendeu mesmo foram os blocos - só não temos a praia pós bloco, o resto do Carnaval temos sim em São Paulo e fui ousada de falar isso lá pra cariocas, que só riam.
A galera realmente está antes de 7h montadíssima no metrô e em vários momentos nos blocos ou mesmo andando ali pelas ruas eu parava admirada olhando em volta a beleza. Tem muita gente que se fantasia de verdade, coloca a criatividade pra jogo e aproveita esses dias pra extrapolar todo o maximalismo possível, sem fazer questão de ser discreta.
Ai quando bate o sol nesse monte de brilho e cor, que imagem linda! Falei ali no início de olhares e percebi como o meu estava acostumado com um Rio corporativo de escritórios sem janela, que agora reparava aquele tanto de cor e vida nas ruas.
E esse visual junto com essa energia de liberdade que o Carnaval puxa trouxe um encantamento sabe? Não é sempre que vemos uma maioria das pessoas com essa presença e pra mim essa é a mágica.
Juntando essa vontade de viver e se divertir com um lugar que já provoca a gente a se movimentar de uma forma diferente, não teve como não voltar dizendo que o Rio foi minha paixão de carnaval.
Acostumei mal com o mar de Salvador que dá pra entrar um pouco mesmo com onda, esse caldo ai a água não estava nem na cintura haha





Para mim que sou naiscida (ler com sotaque carioca) e crescida no mar da Bahia, o do RJ me deu um sacode danado. O caldo não foi dos piores, porque deu tempo de mergulhar e a onda passar por cima de mim, mas uma amiga (de SP hahaha) não foi tão rápida e a onda quebro em cima dela, deslocando o ombro da pobi.
Depois disso nunca mais entrei no mar de lá.
Fora a diferença da temperatura da areia e da água. Tenho medo de estoporar.
Hhahaha
Um beijo!!!!